domingo, 10 de junho de 2012

Cangurus, Cangurus, Coalas e Diabo da Tasmania!!


Estive em Hobart, sobre a qual escreverei em breve. Este post é para falar, e principalmente mostrar, os Cangurus e diversos marsupiais que vi. Numa cidade próxima de Hobart, Brighton, há um centro de recuperação de animais selvagens, onde pode-se ver muitos cangurus, Coalas, Diabos da Tasmania, Wombat? O lugar se chama Bonorongo Wieldlife Sanctuary, entrada A$ 22. Se por acaso, um dia voce vier à Hobart, quiser ver bichos da Austrália e não puder gastar muito com onibus de excursão, aqui esta a solução: pegue o onibus X8 que sai as 12:20 da Elizabeth Street, em direção à Brighton. Uma hora depois ja chegando à Brighton, desça na rua Munday, vire à direita na Tea Tree Road, atravesse a ponte, vire à direita na Briggs road atravesse a linha do trem, e ande mais 1km até encontrar a entrada. Nada que 20 a 30min de caminhada não resolvam. Para voltar esteja no mesmo local que desceu do onibus (do que do outro lado da rua) para pegar o 126 às 15:52 ou 17:42 e prepare-se para 1h20 de tour pelas comunidades até chegar à Hobart. Pelo menos os onibus tem musica! Pois é, eles andam sintonizados numa radio pop-rock! Bem melhor que aquele silêncio mórbido de ônibus!



O parque esta cheio de cangurus, que ficam soltos e vem pedir a ração que você recebeu ao entrar no parque. São animais calmos, meio pacatos, mas andam pulando hehehe, o que não tem como não ser divertido!







 Eu e uns cangurus!


 Ei, de onde veio essa perna??

Mae, onde vc colocou a bolacha?

 Presta atenção...ele vai pular!

 Pulou!




Tem o famoso diabo da Tasmania, que pouco tem a ver com o desenho TAZ. É um bichinho preto de não mais de 20cm de altura, de orelhas vermelhas e muitos dentes grandes. Meio invocado, gosta de morder as coisas e tem um grito fino estridente.


 Bonitinho de tão feio!

Os dentes.
Da minha comida!!

Eles também tem Coalas, fofo como imaginamos, dorme mais de 20 horas por dia e cada um prefere um tipo de folha de eucalipto. Po, o cara só come folha de eucalipto e ainda escolhe um tipo especifico!






Outros marsupiais:



Esse não é marsupial, mas é australiano e é diferente.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sucesso!

Observamos o Transito de Venus em Mount Isa!!! Perdemos o primeiro e segundo contato por conta de nuvens, mas depois o céu abriu completamente e tivemos boas images e visões do evento.  Além do coronógrafo com uma camera CCD, tinhamos um refrator com filtro solar no visível, um com verde filtro estreito, e meu PST (personal solar telescope) coronado em H-alpha. Temos algumas boas imagens.
A aureola de Venus foi bem observada na saída. Pra dar um gostinho uma imagem rapida:



(depois de descansar, coloco muito mais fotos)

domingo, 3 de junho de 2012

Fotos - Mount Isa 30/06

Mount Isa é uma pequena cidade entre Alice Spring e Brisbane, a nordeste do centro da Austrália, no estado de Queensland. Sua principal atividade é exploração de mina de Cobre (e diversos outros metais) e conta com pouco mais de 20 mil habitantes. Em resumo, uma cidadezinha de mineiros no nordeste do deserto australiano! La mora Len Fulham, um veterinario apaixonado pela astronomia que possui um observatório na margem de uma represa chamada de Moondarra (traduzindo: lugar tranquilo).  Ele ja observou ocultações estelares para o nosso grupo, e se dispôs à colaborar conosco para mais este evento.
Vejam algumas fotos:
No avião, a paisagem era árida pra todo lado, mas com alguns rios quase secos.
 Quase pousando, o que se destaca é a mina! Eles tem caminhões enormes de três carretas (vou ver se consigo fotografar um).

O enorme aeroporto. 

O Observatório de Moondarra. 

O coronógrafo instalado, junto com um outro refrator com filtro para observação solar (bela montagem).

Nada como um lugar tranquilo para se refrescar! 

 Não consegui fotos, mas vi dois cangurus perto do observatorio!! Ja vi outros pelas estradas, eles estão por tudo, mas, como durante o dia ficam escondidos, é só no final de tarde e noite que conseguimos vê-los.

O coronografo - Em Nice 18/04/2012

O coronografo - Em Nice 18/04/2012 Minha participação no projeto começou de maneira efetiva quando fui para uma reunião no Observatoire de la Cote d'Azur em Nice / França, onde montamos e testamos os coronógrafos.


Um coronógrafo é um artefato (normalmente um disco opaco), no interior do telescópio, que bloqueia a luz de um objeto para que possamos observar um objeto mais fraco que se encontra próximo. Então basicamente bloqueamos (no caso) a luz solar e deixamos a luz de Venus passar. Os instrumentos que usaremos neste projeto foram desenvolvidos e construidos no Observatoir de la Côte d'Azur, com a ajuda de experientes astronomos amadores franceses. (para detalhes veja: https://venustex.oca.eu/foswiki/bin/view/Main/Background) Usaremos o coronógrafo pois queremos ver a aureola de Venus que ocorre pouco antes (depois) do primeiro (quarto) "contato" de Venus com o Sol, e é claro, é bem mais fraca que a fotosfera solar.

Este é o corpo do cornógrafo, com o disco ocultador em forma de cone, que fica no meio do caminho ótico, para bloquear a fotosfera solar, como pode ser visto na imagem abaixo.
Aqui ve-se apenas o limbo solar com uma bela proeminência e uma simulação do tamanho que Venus terá nas nossas imagens.
Num dia de testes no Observatoire de Meudon, posei para foto ao lado do telescópio com o coronógrafo instalado.

sábado, 2 de junho de 2012

Porque eu?

Como já escrevi, a Austrália é um dos melhores locais para observar, pela condição climática e por ser possível observar a entrada e a saída de Vênus na frente do Sol. Então, por que eu estou tendo o privilégio de ser enviado para este trabalho?
Essa história começa perto de 2004, quando passei a ser mais ativo na astronomia amadora e quando houve o primeiro transito de Vênus do século. No dia 8 de junho daquele ano, meu pai e eu levantamos cedo para ir até o Observatorio do Colégio Estadual do Paraná para acompanhar o Sol nascer e Vênus transitar pelo astro rei, até sua saída cerca de duas horas depois. (veja aqui algumas fotos: http://www2.astrosurf.com/stelito/trans_venus_050608.htm ). Aí começou meu gosto por observar fenômenos transitórios. A astronomia amadora também foi muito útil para aprender a lidar com diversos tipos de telescópios, em lugar e condições diferentes e é claro a reconhecer o céu estrelado.

Muito disso usei ja no meu mestrado no Observatorio do Valongo / UFRJ, quando aprendi à usar telescópios profissionais e câmeras astronômicas (CCD). Aprendi também a fazer fotometria de eventos para determinar curvas-de-luz, para ser mais simples: medir a variação da quantidade de luz que recebemos de um objeto durante um período de tempo. No caso eram os fenômenos mútuos (ocultações e eclipses) entre os satélites de Urano. (http://www.ov.ufrj.br/pos_dissertacoes.htm#felipe)

No doutorado que estou fazendo pelo Observaório Nacional do Rio de Janeiro e pelo Observatoire de Paris/Meudon (que termino em fevereiro de 2013) me especializo em ocultações estelares por objetos transnetunianos, isto é, faço previsão, observação e redução de quando "pequenos" objetos do Sistema Solar, que estão em órbitas além de Netuno, passam em frente à estrelas (http://www.lesia.obspm.fr/perso/braga-ribas/campaigns). Também são fenômenos transitório, que ocorrem numa pequena faixa na Terra durante algumas dezenas de segundos. Isto é, preciso saber observar em diversos tipos de telescópios, nos lugares mais diversos e no momento certo! Integrar todos este elementos juntos (local certo, achar o alvo e estar com tudo pronto para o momento previsto) não é simples, há muita pressão do tempo e detalhes a serem pensados.
É claro que não sou o único nem o melhor nisto (os outros que conheço também fazem parte deste projeto :), mas estar no local certo também conta. O caso é que o Thomas Widemann também faz parte do grupo que trabalha com ocultações estelares, então ele conhece a minha experiência, e me convidou para participar do projeto como um dos observadores, ja que temos 9 coronógrafos espalhados pela Terra. Pedi à ele 2 longos milisegundos para pensar e é claro que topei!  Um sonho que se realiza!

Veja neste mapa quais os locais onde os coronógrafos estão sendo instalados:
Afficher Venus TEx Coronographs sur une carte plus grande

A maioria dos links que passarei estão em ingles ou em frances, Je suis sorry about ça ;-).

O TRÂNSITO DE VÊNUS DE 5-6 DE JUNHO 2012 (O ultimo de nossas vidas.)

Em junho haverá mais um importante evento astronômico, o transito de Venus pelo Sol. Um dos raros eventos da Astronomia.

Há registro da medição deste evento desde 1639. Em 1715 Halley calculou que em 45 anos Venus passaria em frente ao Sol.

Os trânsitos de Vênus são bem conhecidos e têm um período variável embora previsível: a um intervalo de 8 anos segue-se outro de 121,5 anos, posteriormente acontece um trânsito 8 anos mais tarde para voltar a acontecer 105,5 anos depois. Ou seja que o próximo trânsito de Vênus será em 11 de dezembro de 2117. E os anteriores aconteceram nos anos (do último para o primeiro): 2004, 1882, 1874, 1769, 1761, 1639 e 1631. Paramos a análise em 1631 porque foi o primeiro da era telescópica da astronomia (lembrem que o telescópio foi inventado em torno de 1600).

fonte:
http://ahoraultima.blogspot.com.br/2011/12/o-transito-de-venus-em-2012.html

Baseado no evento de 1715, a escritora Andrea Wulf escreveu o livro "Os caçadores de Vênus", e a Folha de São Paulo na seção Ilustríssima de 6/5/12, fez um resumo.
Site:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1088144-leia-o-prologo-de-os-cacadores-de-venus-de-andrea-wulf.shtml


Vejam entrevistas concediadas ao EuroPlanet, site especializado na divulagação dos grandes eventos astronômicos no mundo, o site é:
http://www.europlanet-eu.org/outreach/index.php?option=com_content&task=view&id=371&Itemid=41

Boa leitura a todos e sucesso aos astrônomos.
Abraços
Othon
(texto de Othon Mader Ribas, adaptado para o blog)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O projeto.

O projeto, liderado por Thomas Widemann (do Observatoire de Paris/Meudon) e Paolo Tanga (do Observatoire de la Cote d'Azur), tem por objetivo observar a Aureola de Venus. O fenomeno, ja observado no transito de 2004, consiste na refração da luz solar pela atmosfera superior de Venus. Isto é, a luz do Sol é desviada ao atravessar a atmosfera de Venus, nos permitindo ver o disco do planeta antes mesmo que ele entre na frente do Sol. Medindo a maneira e quantidade de luz desviada, permite que determinemos parametros como temperatura, composição e densidade. A idéia então é observar este fenomeno, de diversos lugares do mundo, para otimizar as chances de observação e com filtros diferentes, para estudar a composição. Para entender por que filtros diferentes é simples. Quando o Sol se põem aqui na Terra, o céu fica avermelhado, isto depende da composição e quantidade de poeira na atmosfera, então se observarmos com varios filtros, sabemos se o ceu de Venus esta mais vermelho ou azulado, o que nos permitirá saber que tipo e tamanho de poeira encontramos na atmosfera de Venus.
Ta, agora você me pergunta porque precisamos saber disso... Primeiro para conhecermos melhor o planeta quase gêmeo à Terra, mas que evoluiu de forma tão diferente (será que isto pode acontecer conosco?). Segundo porque temos descoberto muitos planetas extrasolares pela técnica de transito, e quando chegarem os grandes telescópios que nos permitirão estudar suas atmosferas, precisamos estar preparados e nada melhor do que usar um planeta bem conhecido como Vênus para nos servir de modelo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

(Introducao) Observando o Transito de Venus

Ola pessoal, estou participando de um projeto incrivel! Vou observar o Transito de Vênus na Australia!! https://venustex.oca.eu
Ja estou à caminho e pretendo colocar aqui detalhes do projeto e da viagem é claro.
Vou para Mount Isa, quase no meio da Australia. É um dos melhores lugares para observar o Transito, pois terei o evento completo (entrada e saida de Venus na frente do Sol) e estatisticamente é onde há a melhor chance de ter tempo bom. Trago comigo um telescopio especialmente projetado para esta observação (mais detalhes num outro post). Vou também à Hobart/Tasmania para observar uma ocultação de uma estrela por Plutão. Vou passar rapidamente por varias cidades, então, esperem por fotos da Australia!!
No momento, estou em Singapura, depois de 12:40 de voo à partir de Paris, e agora pego mais 7h de voo para Brisbane.  Até breve.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Pálido Ponto Azul

Como mensagem inicial, deixo este texto de ninguém menos que Carl Sagan, um texto para nos fazer refletir sobre a importância da nossa nave Terra.

Look again at that dot. That's here. That's home. That's us. On it everyone you love, everyone you know, everyone you ever heard of, every human being who ever was, lived out their lives. The aggregate of our joy and suffering, thousands of confident religions, ideologies, and economic doctrines, every hunter and forager, every hero and coward, every creator and destroyer of civilization, every king and peasant, every young couple in love, every mother and father, hopeful child, inventor and explorer, every teacher of morals, every corrupt politician, every "superstar," every "supreme leader," every saint and sinner in the history of our species lived there--on a mote of dust suspended in a sunbeam.

The Earth is a very small stage in a vast cosmic arena. Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that, in glory and triumph, they could become the momentary masters of a fraction of a dot. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner of this pixel on the scarcely distinguishable inhabitants of some other corner, how frequent their misunderstandings, how eager they are to kill one another, how fervent their hatreds.

Our posturings, our imagined self-importance, the delusion that we have some privileged position in the Universe, are challenged by this point of pale light. Our planet is a lonely speck in the great enveloping cosmic dark. In our obscurity, in all this vastness, there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ourselves.

The Earth is the only world known so far to harbor life. There is nowhere else, at least in the near future, to which our species could migrate. Visit, yes. Settle, not yet. Like it or not, for the moment the Earth is where we make our stand.

It has been said that astronomy is a humbling and character-building experience. There is perhaps no better demonstration of the folly of human conceits than this distant image of our tiny world. To me, it underscores our responsibility to deal more kindly with one another, and to preserve and cherish the pale blue dot, the only home we've ever known.

-- Carl Sagan, Pale Blue Dot, 1994

Fonte: http://www.planetary.org/explore/topics/voyager/pale_blue_dot.html